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O que aprendemos com o ASCO 2025 sobre imunoterapia no combate ao câncer?

Postado em: 18/06/2025

Entre os dias 30 de maio e 3 de junho, participei do Congresso Americano de Oncologia Clínica (ASCO 2025), em Chicago, o maior evento de oncologia do mundo. E posso dizer com tranquilidade: vivemos uma nova era na luta contra o câncer.

O que aprendemos com o ASCO 2025 sobre imunoterapia no combate ao cancer
O que aprendemos com o ASCO 2025 sobre imunoterapia no combate ao câncer? 2

Neste ano, os holofotes se voltaram para os avanços em imunoterapia, especialmente em tumores sólidos e intervenções precoces. Foram apresentados resultados que já estão transformando o cuidado oncológico e que, em breve, devem chegar aos nossos pacientes.

Quero compartilhar aqui as descobertas mais impactantes, com linguagem acessível e direta, para que pacientes, colegas e interessados possam acompanhar esse momento histórico da medicina.

Imunoterapia em tumores gastrointestinais: novos padrões à vista

A primeira grande novidade veio do estudo Matterhorn, que analisou pacientes com câncer gastrintestinal ressecável

A associação do durvalumabe (Imfinzi) ao esquema quimioterápico FLOT, no período perioperatório, demonstrou uma redução significativa no risco de eventos. 

Ou seja: incluir imunoterapia ao redor da cirurgia pode mudar completamente o desfecho de muitos pacientes.

Por que isso importa tanto?

Porque essa estratégia mostra que não devemos esperar a doença avançar para agir com a imunoterapia. Quanto antes ela for introduzida, maiores as chances de controle e cura. 

O durvalumabe, nesse contexto, aparece como uma peça central para reconfigurar o tratamento do câncer gástrico.

Câncer de cólon: dobrar a sobrevida é possível

Outro destaque veio do estudo ATOMIC, focado em pacientes com câncer de cólon dMMR estágio III

A introdução de atezolizumabe ao tratamento adjuvante tradicional (ou seja, após a cirurgia) resultou em uma sobrevida livre de doença duas vezes maior em três anos.

O que muda na prática?

Estamos falando de um tipo específico de tumor de cólon, com deficiência no sistema de reparo do DNA. 

Identificar essa característica no diagnóstico permite oferecer uma imunoterapia personalizada com alto impacto na sobrevida, além de menos toxicidade em comparação com outros regimes agressivos.

Terapia CAR T: além das hematológicas

As células CAR T, já consagradas no tratamento de linfomas e leucemias, começam a mostrar resultados em tumores sólidos

Em estudos apresentados no ASCO 2025, a terapia celular demonstrou 40% mais sobrevida em casos como câncer gástrico, de junção esofagogástrica (GEJ) e glioblastoma.

Estamos prontos para aplicar?

Ainda estamos em fase experimental e os tratamentos são realizados em centros de referência com protocolos específicos. Mas é uma sinalização clara de que a era da terapia personalizada e celular se estende além das doenças hematológicas.

Anticorpos bispecíficos e novas plataformas imunológicas

Entre as inovações mais tecnológicas do congresso, destaco o medicamento IBI363, um anticorpo bispecífico PD‑1/IL‑2. Ele vem sendo testado com bons resultados em tumores colorretais MSS/pMMR, que historicamente não respondiam bem à imunoterapia.

Qual é o diferencial do IBI363?

Ele consegue ativar o sistema imunológico de maneira dupla: bloqueando a via PD-1 (que “desliga” as células T) e, ao mesmo tempo, estimulando o receptor IL‑2, essencial para a proliferação dessas células. Isso abre novas portas para tumores tradicionalmente difíceis de tratar com imunoterapia.

Câncer de mama: personalização e precisão no centro do cuidado

O câncer de mama também teve protagonismo no ASCO 2025. Vários estudos apontaram caminhos promissores, alguns já prontos para alterar a prática clínica.

Combinação Trodelvy + Keytruda no TNBC

Pacientes com câncer de mama triplo-negativo (TNBC) e PD‑L1 positivo tiveram uma resposta expressiva à combinação de Trodelvy (sacituzumab govitecan) com Keytruda (pembrolizumabe). O regime reduziu o risco de progressão da doença em 35%.

Esse resultado pode representar um novo padrão terapêutico para TNBC avançado, uma das formas mais agressivas e desafiadoras da doença.

Camizestrant e a detecção precoce da mutação ESR1

No câncer de mama HR+/HER2–, o estudo SERENA‑6 trouxe uma proposta inovadora: trocar o tratamento para camizestrant, um degradador seletivo do receptor de estrogênio, logo após detectar a mutação ESR1 no DNA circulante

Essa mudança precoce reduziu em 56% o risco de progressão da doença.

Estamos falando de um passo importante rumo à medicina de precisão em tempo real, usando a chamada biópsia líquida para antecipar decisões clínicas.

HER2+: repensando a primeira linha

O Enhertu (trastuzumabe deruxtecan) em combinação com pertuzumabe demonstrou superioridade clínica no estudo DESTINY‑Breast09 quando comparado ao tratamento padrão (taxano + trastuzumabe + pertuzumabe).

O que isso pode significar?

Se confirmado em mais estudos, essa combinação pode se tornar o novo padrão de primeira linha para pacientes com câncer de mama HER2 positivo, com potencial de ampliar a eficácia do tratamento logo no início.

Imunoterapia antes da cirurgia: estudo CHARIOT

O estudo CHARIOT, ainda em fase experimental, testou a combinação de nivolumabe + ipilimumabe antes da cirurgia (tratamento neoadjuvante) em pacientes com TNBC precoce. A resposta completa foi de 24%, o que é bastante expressivo nesse cenário.

Essa estratégia sugere que potencializar o sistema imunológico antes de retirar o tumor pode trazer ganhos importantes em sobrevida e menor chance de recidiva.

O que tudo isso nos mostra?

O ASCO 2025 deixou claro que estamos cada vez mais próximos de uma oncologia sob medida. Os tratamentos estão mais inteligentes, precoces e personalizados. 

Usamos biomarcadores, mutações específicas, biópsia líquida e combinações mais refinadas para atingir melhor resultado com menos efeitos adversos.

A imunoterapia, que já revolucionava os cuidados em câncer de pulmão e melanoma, agora se consolida também em tumores gastrointestinais, mama e cérebro. E esse movimento é só o começo.

A ciência está abrindo portas que, até pouco tempo atrás, pareciam trancadas

Como oncologista, acompanhar essas transformações de perto é mais do que uma atualização técnica, é um exercício constante de esperança. 

Os dados apresentados no ASCO 2025 mostram que a ciência não para. E que cada nova descoberta representa mais tempo, mais qualidade de vida e, muitas vezes, mais cura.

Seguiremos atentos, estudando, adaptando protocolos e, acima de tudo, cuidando de cada pessoa com o que há de mais avançado e respeitoso na medicina.

Vamos conversar?

Se você ou alguém próximo está enfrentando um diagnóstico de câncer, saiba que não está sozinho. Estou à disposição para orientar, esclarecer dúvidas e pensar juntos nas melhores estratégias de cuidado.

Agende uma consulta e venha conhecer de perto como a oncologia moderna pode fazer diferença no seu tratamento.

Dr. Marcelo Cruz é médico pela UNICAMP, oncologista clínico dos Oncologistas Associados e Grupo Orizonti, Fellow do Programa de Desenvolvimento de Novas Terapias (Developmental Therapeutics Program), Mestre em Pesquisa Clínica pela Feinberg School of Medicine Northwestern University, Chicago – EUA.

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Dr. Marcelo Cruz
Oncologista
CRM: 100479/SP RQE: 121461 - Oncologia Clínica


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