Câncer de Ovário: fatores de risco e sinais de atenção
Postado em: 16/02/2026

O câncer de ovário é um dos tumores ginecológicos que mais merecem atenção devido à dificuldade de identificação nas fases iniciais. Em muitos casos, os sintomas são discretos e podem passar despercebidos ou ser confundidos com problemas comuns do dia a dia.
Por isso, conhecer os fatores de risco é uma forma importante de cuidar da saúde e reconhecer situações que merecem investigação médica. Ter um fator de risco não significa que a doença irá se desenvolver, mas ajuda a identificar quem pode precisar de um acompanhamento mais próximo.
Neste conteúdo, você vai entender o que é o câncer de ovário, quais fatores podem aumentar o risco da doença, os sintomas mais frequentes e quando procurar avaliação especializada.
O que é o câncer de ovário?
O câncer de ovário é um tumor maligno que se desenvolve nos ovários, órgãos responsáveis pela produção de óvulos e hormônios femininos. Existem diferentes tipos da doença, sendo o carcinoma epitelial o mais comum.
Um dos principais desafios desse câncer é que seus sintomas iniciais costumam ser pouco específicos. Muitas vezes, eles se confundem com alterações gastrointestinais ou ginecológicas benignas, o que pode atrasar a investigação.
Por esse motivo, mulheres com fatores de risco conhecidos devem manter acompanhamento médico regular e estar atentas a mudanças persistentes no organismo.
Quais são os principais fatores de risco para câncer de ovário?
A presença de fatores de risco não determina o surgimento da doença, mas está associada a uma probabilidade maior quando comparada à população geral.
Os principais fatores relacionados ao câncer de ovário incluem:
- Idade avançada, com aumento progressivo do risco após os 50 anos e maior incidência após a menopausa;
- Histórico familiar de câncer de ovário ou câncer de mama em parentes de primeiro grau;
- Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associadas a risco significativamente aumentado;
- Síndrome de Lynch, condição hereditária ligada a diferentes tipos de câncer, incluindo o de ovário;
- Nuliparidade: mulheres que nunca engravidaram;
- Menarca precoce e menopausa tardia, resultando em maior exposição hormonal ao longo da vida;
- Endometriose, relacionada a alguns subtipos específicos de câncer ovariano;
- Obesidade, que pode influenciar mecanismos hormonais e inflamatórios do organismo.
Histórico familiar e mutações genéticas (BRCA1 e BRCA2)
Mulheres com casos de câncer de ovário ou câncer de mama na família podem se beneficiar de uma avaliação genética. A identificação de alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 permite uma análise mais precisa do risco hereditário.
Além de auxiliar no acompanhamento, essa investigação pode contribuir para decisões preventivas e estratégias de monitoramento mais adequadas. O aconselhamento genético feito por um especialista, para interpretação correta dos resultados e definição da melhor conduta para cada situação.
Quais são os sintomas mais comuns do câncer de ovário?
Os sintomas costumam ser inespecíficos, principalmente no início da doença. O que merece atenção é a frequência e a persistência desses sinais ao longo do tempo.
Entre os sintomas mais relatados estão:
- Distensão ou inchaço abdominal persistente;
- Dor ou desconforto na região pélvica;
- Sensação de saciedade precoce durante as refeições;
- Alterações do hábito intestinal sem causa aparente;
- Aumento progressivo do volume abdominal;
- Necessidade frequente de urinar.
Quando esses sintomas persistem por semanas ou passam a ocorrer com mais frequência, é importante buscar avaliação médica.
Como é feito o diagnóstico do câncer de ovário?
A investigação começa com a avaliação clínica e o exame físico. Quando necessário, exames de imagem, como a ultrassonografia transvaginal, ajudam a identificar alterações nos ovários.
Também podem ser solicitados marcadores tumorais, como o CA-125, que auxiliam na investigação, embora não sejam específicos para o diagnóstico da doença.
A confirmação ocorre por meio da análise do tecido tumoral, realizada após biópsia ou procedimento cirúrgico.
Em alguns casos, exames moleculares complementares podem fazer parte da avaliação, contribuindo para estratégias de medicina de precisão e tratamentos mais individualizados.
Quando procurar avaliação médica?
A recomendação é procurar uma avaliação quando sintomas persistentes não apresentam uma explicação clara ou deixam de melhorar ao longo das semanas.
Essa atenção é ainda mais importante para mulheres que possuem fatores de risco conhecidos ou histórico familiar relevante.
O ginecologista geralmente é o primeiro profissional envolvido na investigação. Dependendo dos achados clínicos e dos exames, pode haver indicação de avaliação com um oncologista.
Pacientes que desejam compreender melhor suas opções diagnósticas ou terapêuticas também podem buscar uma segunda opinião oncológica.
FAQ — Perguntas frequentes
Existe exame de rotina para detectar câncer de ovário?
Atualmente, não existe um método de rastreamento populacional com eficácia comprovada para mulheres sem fatores de risco específicos. Para grupos de maior risco, como portadoras de mutações BRCA, o médico pode recomendar acompanhamento individualizado.
Toda mulher com mutação BRCA terá câncer de ovário?
Não. As mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentam o risco de desenvolver a doença, mas não significam que ela ocorrerá obrigatoriamente. O acompanhamento especializado ajuda a definir as estratégias mais adequadas de prevenção e monitoramento.
O uso de anticoncepcional influencia no risco?
Estudos mostram que o uso prolongado de anticoncepcionais orais combinados pode estar associado à redução do risco de câncer de ovário. Ainda assim, a indicação deve ser individualizada e considerar o histórico de saúde de cada mulher.
Avaliação especializada e próximos passos
Conhecer os fatores de risco do câncer de ovário ajuda a identificar situações que merecem atenção e acompanhamento mais próximo. Informações adequadas, aliadas ao acompanhamento médico regular, permitem uma abordagem mais individualizada para cada mulher.
Se você possui histórico familiar relevante ou sintomas persistentes, procure um ginecologista ou um oncologista.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
Dr. Marcelo Cruz
Oncologista Clínico
Registro CRM-SP 100479 l RQE 121461