Desmistificando Mitos da Imunoterapia: Verdades que os Pacientes Devem Conhecer
Postado em: 08/09/2025
A Imunoterapia tem transformado o tratamento do câncer nos últimos anos. Ela passou a ser considerada uma das grandes promessas da oncologia moderna, especialmente em tumores como os de pulmão e mama.

No entanto, junto com o avanço dessa estratégia, surgiram também muitos mitos que confundem pacientes e familiares.
É comum ouvir frases como “a imunoterapia cura qualquer tipo de câncer” ou “é totalmente livre de efeitos colaterais”. Essas informações, muitas vezes compartilhadas sem critério em redes sociais ou grupos de mensagens, podem gerar falsas expectativas e, pior, levar a decisões equivocadas.
Neste conteúdo, você vai entender o que é a imunoterapia, quando ela é indicada e quais são suas reais possibilidades — tudo sob uma ótica baseada em ciência, experiência clínica e responsabilidade!
O que é, de fato, a imunoterapia?
A “Imunoterapia” é um tipo de tratamento que tem como objetivo estimular o sistema imunológico do próprio paciente a reconhecer e atacar as células cancerígenas.
Diferente da quimioterapia, que atua diretamente sobre o tumor, a imunoterapia “acorda” o sistema de defesa do corpo, que por diversos mecanismos havia deixado de identificar o câncer como uma ameaça.
Existem vários tipos de imunoterapia, como os inibidores de checkpoints imunológicos, anticorpos monoclonais, vacinas terapêuticas e células T modificadas.
Eles são indicados em situações específicas, geralmente determinadas por testes moleculares que avaliam o perfil genético e imunológico do tumor.
Mitos mais comuns sobre a imunoterapia
Mito: “A imunoterapia funciona para todos os tipos de câncer”
Não é verdade. A imunoterapia é altamente eficaz para alguns tipos de tumores, como câncer de pulmão, melanoma e alguns subtipos de câncer de mama, por exemplo.
No entanto, nem todos os pacientes apresentam biomarcadores que indicam resposta a esse tipo de tratamento.
Mito: “A imunoterapia é melhor que a quimioterapia”
Cada caso é único. Em alguns cenários, a imunoterapia pode trazer mais benefícios com menos efeitos colaterais.
Em outros, a combinação com quimioterapia ou a própria quimioterapia isolada ainda é a melhor escolha.
A decisão depende de exames genômicos e do estágio da doença.
Mito: “Imunoterapia não tem efeitos colaterais”
Embora geralmente mais facilmente tolerada que a quimioterapia, a imunoterapia pode causar efeitos colaterais, especialmente relacionados a reações autoimunes.
O monitoramento médico é essencial.
Mito: “Todos os pacientes podem receber imunoterapia”
Para indicar imunoterapia com segurança e efetividade, o oncologista precisa avaliar diversos critérios, como expressão de PD-L1, presença de instabilidade de microssatélites e outras alterações genéticas.
Sem essa análise, o tratamento pode ser ineficaz.
A importância da medicina de precisão
No consultório do Dr. Marcelo Cruz, a decisão por iniciar imunoterapia nunca é tomada com base apenas no tipo de câncer. O que guia a conduta é o perfil molecular do tumor, avaliado por testes genéticos e exames de expressão tumoral.
Isso garante um tratamento mais direcionado, com mais chances de resposta e menos riscos.
Essa é a base da medicina de precisão, uma abordagem que vem se tornando o novo padrão de excelência no tratamento do câncer.
Se você ou alguém próximo está avaliando o uso de imunoterapia, é fundamental buscar uma opinião especializada, que vá além da informação superficial e leve em conta as particularidades do seu caso. O acesso à informação é importante — mas quando falamos de câncer, a personalização salva vidas.
Dr. Marcelo Cruz é médico pela UNICAMP, oncologista clínico dos Oncologistas Associados e Grupo Orizonti, Fellow do Programa de Desenvolvimento de Novas Terapias (Developmental Therapeutics Program), Mestre em Pesquisa Clínica pela Feinberg School of Medicine Northwestern University, Chicago – EUA.
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Oncologista
CRM: 100479/SP
RQE: 121461 - Oncologia Clínica