A Imunoterapia e o Sistema Imunológico: Entendendo a Ciência por Trás do Tratamento
Postado em: 18/03/2025
A Imunoterapia revolucionou o tratamento do câncer ao utilizar o próprio sistema imunológico para combater as células tumorais.

Diferente da quimioterapia e da radioterapia, que atacam diretamente as células cancerígenas, a imunoterapia fortalece as defesas naturais do corpo, tornando-as mais eficazes na eliminação do tumor.
Para compreender como esse tratamento funciona, é essencial entender o papel do sistema imunológico na defesa do organismo e como as células cancerígenas conseguem, muitas vezes, escapar desse mecanismo de proteção.
A seguir, entenda a ciência por trás da imunoterapia!
Como o sistema imunológico combate doenças?
O sistema imunológico é uma rede complexa de células e moléculas responsáveis por proteger o corpo contra infecções, vírus, bactérias e células anormais, incluindo as cancerígenas.
Ele é composto por diversos elementos fundamentais, como:
- Linfócitos T: células do sistema imune que identificam e eliminam ameaças, incluindo células tumorais.
- Células dendríticas: ajudam na ativação dos linfócitos T, apresentando fragmentos de células cancerígenas ao sistema imunológico.
- Anticorpos: proteínas produzidas pelos linfócitos B que ajudam a neutralizar agentes patogênicos e células alteradas.
- Citocinas: moléculas que regulam a comunicação entre as células imunológicas, estimulando respostas de defesa.
Apesar dessas defesas, algumas células cancerígenas desenvolvem estratégias para escapar do sistema imunológico, o que permite que o tumor cresça e se espalhe.
Como o câncer dribla o sistema imunológico?
O câncer se desenvolve quando mutações genéticas fazem com que células do próprio organismo cresçam de maneira descontrolada.
Para evitar que o sistema imunológico as reconheça e destrua, as células tumorais utilizam mecanismos como:
- Produção de proteínas inibidoras: muitas células cancerígenas expressam proteínas como PD-L1, que “desligam” os linfócitos T e impedem a resposta imune.
- Modificação do microambiente tumoral: o tumor cria um ambiente ao seu redor que dificulta a infiltração de células do sistema imunológico.
- Imitação de células saudáveis: algumas células cancerígenas conseguem se camuflar, evitando serem identificadas como uma ameaça.
É nesse ponto que a “Imunoterapia“ se torna um diferencial, pois bloqueia essas estratégias e fortalece a capacidade do sistema imunológico de atacar o câncer.
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Como a imunoterapia fortalece o sistema imunológico?
A imunoterapia atua estimulando e potencializando a resposta imunológica do paciente.
Existem diferentes abordagens utilizadas para tratar o câncer, cada uma com mecanismos específicos de ação. Entre as principais, podemos citar:
- Inibidores de checkpoint imunológico: bloqueiam proteínas como PD-1, PD-L1 e CTLA-4, permitindo que os linfócitos T reconheçam e ataquem as células cancerígenas.
- Terapia com células CAR-T: linfócitos T do próprio paciente são modificados geneticamente para reconhecer e destruir células tumorais.
- Vacinas terapêuticas contra o câncer: estimulam o sistema imunológico a identificar e atacar células cancerígenas.
- Anticorpos monoclonais: proteínas projetadas para se ligar a alvos específicos no tumor, facilitando sua destruição pelo sistema imune.
Esses avanços tornam a imunoterapia uma das estratégias mais promissoras em muitos casos de câncer, especialmente para pacientes que não respondem bem a outros tratamentos.
Quem pode fazer imunoterapia?
A imunoterapia continua evoluindo, oferecendo uma opção interessante para pacientes com diferentes tipos de câncer.
No entanto, nem todos os casos são compatíveis com essa modalidade de tratamento, se beneficiando mais com outra abordagem.
Para saber qual tratamento é o melhor em cada caso de câncer, a orientação médica é essencial.
Essas foram algumas considerações importantes sobre a imunoterapia e seu funcionamento. Espero ter ajudado!
Dr. Marcelo Cruz é médico pela UNICAMP, oncologista clínico dos Oncologistas Associados e Grupo Orizonti, Fellow do Programa de Desenvolvimento de Novas Terapias (Developmental Therapeutics Program), Mestre em Pesquisa Clínica pela Feinberg School of Medicine Northwestern University, Chicago – EUA.
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